Uma homenagem a Fernando Sabino
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Para gostar de ler Fernando Sabino

* Caco Belmonte, gaúcho de Porto Alegre, é jornalista e escritor. Autor do livro de contos “No Orkut dos outros é colírio“, mantém o blog “O Exu Literato“, tem contos publicados em várias antologias e no momento escreve sua primeira novela, cujo título é “Segunda-feira”. O texto abaixo foi publicado originalmente no blog do autor e reproduzido aqui com sua autorização.

Em dezembro de 1991, passei no vestibular do curso de jornalismo da PUCRS e fui selecionado na Oficina de Criação Literária do Instituto de Letras e Artes da mesma universidade. Faz quase 18 anos. Eu tinha 19 anos e meus pais estavam de férias no Rio. De lá, após receberem a dupla notícia, trouxeram de presente “Os melhores contos de Fernando Sabino”, de quem eu já era leitor e fã.

Tenho o livro a meu lado agora, enquanto escrevo estas linhas. Na verdade, cresci lendo o Sabino. Era recorrente na biblioteca dos meus pais, e depois fiquei com todos os livros para mim. Aliás, se não estou enganado, o primeiro contato com a obra do autor foram as crônicas da coleção “Para gostar de ler”, da Editora Ática. Meu irmão, quatro anos mais velho, teve de fazer a leitura da obra como tarefa da escola. E eu aproveitei a oportunidade para fazer minhas primeiras incursões em “leituras de adulto”. Outra leitura que marcou meus primeiros passos foi “O menino no espelho”, da mesma forma que “O menino grapiúna”, de Jorge Amado, e “Menino de engenho”, de José Lins do Rego. Hoje, tenho quase todos os livros do Sabino.

O cara é um dos meus mestres, pela simplicidade da linguagem e a escolha do cotidiano como temática principal. Sabia valorizar a palavra, era econômico e nos seus textos não sobrava absolutamente nada. Além disso, fazia uso inteligente do diálogo direto. Usava na medida certa, sempre que possível entremeado por ações e breves descrições. E não era exibido, nem fazia malabarismo com a palavra. Era preto no branco.

Passados cinco anos ele ainda faz falta, e sempre fará. Ao menos o vazio e a ausência terminam quando releio a obra de Fernando Sabino. Escritor, jornalista, nasceu homem dia 12 de outubro de 1923, e morreu menino naquele dia 11 de outubro de 2004*. Quando eu partir, é dele um dos primeiros autógrafos que pedirei lá em cima.

* Por coincidência, 11 de outubro é a mesma data em que morreu Renato Russo, em 1996.

3 comments

1 Selma Barcellos { 03.12.09 at 4:58 pm }

Impressiona a marca de Sabino em todos os que amam a palavra. Leio esses depoimentos prazerosamente…

Abraços.

2 Renato Sabino { 06.01.10 at 9:05 pm }

Excelente texto, à altura do nosso mestre; tenho diversos livros dele, mas não canso nunca de ler “O encontro marcado”; já dei dois exemplares dessa maravilhosa obra de presente, pois desejo q o maior nº de leitores possa ser apreciador desse espetacular escritor…e pensar q comecei a lê-lo por causa do sobrenome…rsss

3 Fernanda dos santos { 16.03.10 at 9:37 am }

muito bom o depoimento caco descreve bem o que nòs tambem sentimos com relaçao a Fernando Sabino e suas obras.

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